O banquinho de madeira
Nasci numa cidade muito pequena no interior do Barracão(Paraná). Cidade boa de morar, foi lá que passei o começo da infância. Por falar em começo, esqueci de me apresentar, meu nome é Sidiane, tenho 36 anos.
Hoje pela manhã levantei, aprontei um chimarrão e me sentei na cadeira de balanço, que era da minha velha mãe, e recordei-me de minhas lembranças de infância.
Adorava acordar cedo para fazer o café para meus pais, todos os dias eu tinha que fazer pães novos, porque papai falava que quando nós casássemos saberíamos ser uma ótima dona de casa,lembro também que papai fez um banquinho de madeira para eu subir, porque não alcançava no fogão.
Ah, o fogão! Esse sim me deu trabalho, já que tinha que cozinhar para meus irmãos que trabalhavam na roça com papai e mamãe enquanto eu e minhas irmãs arrumávamos a casa. Pela tarde, logo depois do almoço, juntávamos todas as roupas sujas, colocávamos num cesto e íamos para a beira do rio lavá-las. Não podíamos ficar conversando muito não, pois eu tinha que fazer pães novos para o outro dia de manhã.
Me recordo também das nossas roupas feitas por mamãe, para as meninas vestidos de chita e sandalhinhas de melissa, e para os meninos, calças de tergal, camisas de botões e sapatos eram os kichutes. As mocinhas usavam ruge e batom cor de carmim, para ficarem mais bonitas ainda. Quando chegava a tardinha, papai, mamãe e meus irmãos chegavam cansados, com as mãos calejadas, sentavam para tomar chimarrão e prosear. Nós, crianças, saíamos a brincar pelo campo, os meninos jogavam bola, e a gente amarrava uma cordinha num galho de árvore para brincarmos de balanço.
Quando completei nove anos de idade, meus pais resolveram vir para São Leopoldo, onde nós recomeçamos tudo novamente. Aqui, no começo foi difícil, pois passamos necessidade, só quem estava trabalhando eram os meninos, porque papai estava muito doente.
O tempo passou, logo todos foram casando, tendo filhos e eu fiquei de babá dos meus sobrinhos, enquanto minhas irmãs iam ao fura bucho - fura bucho eram os bailes aqui da vila. Logo comecei a namorar, me juntei, tive duas filhas lindas, passei muitas dificuldades, mas superei. Hoje sou separada, moro com minhas filhas, quando sentamos para tomar chimarrão, de repente volto ao passado e digo a elas que naquele tempo era tudo muito diferente, e relato a velha história do meu banquinho de madeira. Oh saudade!
Aluna: Sandrielly Tepper Nass
E.M.E.F Castro Alves - São Leopoldo RS
Professora: Mari Angela Broilo
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